terça-feira, 8 de julho de 2014

Restauro de antiguidades – publicação 002

 
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Alguns restauradores, principalmente nos Estados Unidos, recuperam antiguidades de maneira a apresentarem estado de novas, tal quando fabricadas. O aspecto final é bonito, digno de exposição.
Porém, o nosso exitoso procedimento reside em restaurá-las historicamente, permitindo que estes objetos antigos renasçam e revivam sua gloriosa e consagrada época, a demonstrar no presente suas ações integradas na história, mantendo suas características de utilização.
mcost1  Junker & Ruh, alemã, restaurada
Nossa sequência de trabalho é metódica e profissional. Inicialmente, antes que qualquer ação física, identificamos a peça, seja ela um bibelô de porcelana, uma velha ferramenta, alguma máquina (costurar, relógio, moedor de grãos,...). O relato histórico deve integrar sua vida (marca, idade, origem, constituição, número de série, a quem pertenceu,...)
Além de informações verbais, através da Internet pode-se conseguir (ou adquirir) antigos manuais ou fichas técnicas.
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O restauro físico é iniciado com delicada pré-limpeza, para não perder dados, tais os citados. Inicialmente de maneira delicada e só a partir daí são utilizados solventes neutros, para não agredir sua constituição.
A desmontagem, requer ferramentas específicas, sempre com muito critério e cuidado, pois a estrutura das peças pode ser sensível. Nos casos de louças, cerâmicas, brinquedos, porcelanas, vidros, cristais,... obviamente as ferramentas são delicadíssimas e o trabalho manual requer lupas e ambiente isento de poeiras.
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Peças submetidas às intempéries ou até parcialmente soterradas, podem ter sofrido corrosão pela acidez do solo em suas partes enterradas e oxidadas pela ação meteorológica na parte superior. 
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Assim,  podem receber tratamentos diferenciados e específicos, decorrente  também de sua anterior utilização, de manutenção incorreta, falhas de limpeza ou lubrificação de seus mecanismos.
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Todas as peças antigas estão sujeitas a diversos agentes de deterioração de ordem química (gases nocivos da atmosfera poluída, partículas minerais reagentes,...), física (variações de temperatura e umidade), biológica (ação de bactérias, fungos, cupins...) ou erros de manutenção e de preservação.
No caso das máquinas de costurar e outras metálicas antigas, o descaso é manifesto; raridades jogadas em ferros-velhos, enferrujando, ou até propositadamente quebradas para diminuir volume para venda “a peso”.
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Peças já tratadas e detalhe de polimento

Os piores casos para restauro NÃO são as que sofreram desgastes naturais pela ação do tempo, mas sim as que foram adulteradas, corrompidas ou repintadas, por vezes com a intenção de ludibriar o comprador, e vendidas como “decorativas” ou com comprometedoras tentativas de restauro por pessoas desqualificadas. Há uma infinidade de “fábricas de antiguidades”, muitas com aparência de originais, principalmente relógios, pinturas, gramofones, móveis, livros,... ludibriando leigos compradores que evitaram uma consulta mais prudente.
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Engrenagens reutilizadas e torneamento de manopla

Em nosso ofício, sempre analisamos a composição do material que compõe a peça. Nos objetos metálicos, são característicos os ferruginosos (aços e outras ligas contendo ferro), dificilmente falsificados, considerando sua constituição original, particulada, que evidencia fundições exclusivas de sua época. Dentre as ligas metálicas não ferrosas, destaca-se o bronze, também com características facilmente identificáveis. Objetos constituídos com alumínio ou o moderno “zamac” (liga de zinco, alumínio, magnésio e cobre) são claras as falsificações.
mcost4 Centenária, restaurada e perfeita
Os componentes plásticos são mais recentes  (baquelita em 1909)  e sua composição pode identificar época de fabricação.
Os parafusos de mais de meio século não se assemelhavam aos atuais, pois seus diâmetros, roscas (passos, ângulos,...), assim como as “cabeças” são perfeitamente distintos.  Assim, sempre tentamos recuperar os existentes e, quando impossível, construímos semelhantes, com mesmo aspecto.
As partes corroídas por oxidação exigem procedimento abrasivo (raspagem, lixamento,..) e aplicação de camada fosfatizante e pintura protetora.
A aplicação de “jato de areia ou de granalha” para remover corrosão ou pintura antiga, evidencia imperícia, pois danifica por abrasão os componentes (engrenagens, encaixes,...) podendo até eliminar alguma identificação impressa em baixo relevo.
A pintura das partes e detalhes, com definição de cores na análise preliminar. E, em nosso critério adotado, procuramos sempre que possível, “retocar” as falhas, encerando-a, preservando sua pintura original e recuperando seu funcionamento.
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Base de madeira antes e após o trabalhoso restauro

As peças em madeira, quando danificadas, procuramos refazê-las na maior semelhança possível, completando-as com partes análogas em aparência.
Para as partes em madeira atacadas por térmitas (cupins), o nosso tratamento é muito mais complexo, com sucessivas aplicações de cupinicida, intercaladas com choques térmicos. 
Cupim charge 1  
Este resumo de nosso procedimento de restauração é apenas uma singela base, alicerçada em meio século de pesquisas e sempre aberta a qualquer atualização que resulte em melhor solução.