quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Restauro da cafeteira quebrada - 03

 

“É vedada a utilização de quaisquer informações contidas nestas publicações, para fins lucrativos ou comerciais, sem autorização expressa de seu autor, sob pena de indenização judicial.”

Eu considero RESTAURO como o conjunto de operações para interromper o processo de deterioração de um objeto que testemunhe a história humana. E reconstruí-lo, para estabelecer seu aspecto original de quando em funcionamento.

Sabemos que qualquer material está sujeito a diversos agentes de deterioração, sejam de ordem química (gases nocivos da atmosfera poluída, partículas minerais muito penetrantes, ...), física (variações de temperatura e umidade), biológica (ação de bactérias, fungos, cupins...) ou falhas de manutenção e de preservação. Informações estas já citadas na Publicação 04 deste blog.

Porem, quando se pensa em restauro, normalmente imagina-se um serviço super especializado, com gastos exorbitantes e meses de trabalho e expectativa.

Obviamente esta premissa é também verdadeira, quando relacionada a objetos que requerem tal dispêndio em prol de seu valor intrínseco, seja financeiro, histórico ou sentimental.

Todavia, tal necessidade de restauro também se aplica a objetos simples, que possuímos e desejamos preservá-los, porque nos são úteis, consagrados, participam de nossas ações ou temos por eles um suficiente valor sentimental para preservá-los.

No caso presente e motivo desta postagem, refiro-me a uma cafeteira que possuo, simples e pequena, tipo “Moka” italiana. Em aço inoxidável, perfeita e durável, ela é minha predileta auxiliar, sempre disposta a sensibilizar meu olfato com seu característico odor e meu paladar com o incomparável sabor do cafezinho. E está sempre disponível, mesmo nas insones madrugadas.

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E, como nem tudo é eterno, ontem ela apresentou uma patologia incapacitante, quebrando seu único negro bracinho, impedindo-me de conduzi-la quente até o receptáculo asado (xícara), para ali eu sorver sua irresistível infusão aromática e estimulante.

As antigas cafeteiras, assim como bules, panelas, e outros utensílios metálicos similares, possuíam cabos (para manusear) de “baquelite”, material inventado em 1909 (USA).  

A baquelite tem características propriedades de dureza e longa durabilidade, resistente à temperatura, já que sua composição não é reversível, ou seja, não volta ao amolecimento ou remoldagem.

Seu nome científico é complicado: “polioxibenzimetilenglicolanidrido”, e foi utilizada até para confecção de moedas de um cêntimo de dólar, no intuito de poupar metais, durante a segunda guerra.

Mas o cabo de minha cafeteira não era de baquelite e sim de um plástico pouco resistente às variações térmicas e se partiu aos cacos em poucos anos.

Pensei em adquirir outra, porem certamente não seria tão querida e resistente e, apresentaria o mesmo problema num futuro próximo.

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Então, a confecção de uma prótese seria a solução. Obviamente não plástica, para evitar novo transtorno. O aço inoxidável foi o material escolhido, pois além de também durável, comporia estéticamente seu corpo com coerência metálica.

Retiradas as negras rebarbas ainda aderidas, passei ao polimento e adaptação do engate do futuro cabo. Um perfil chato de aço inoxidável, com largura de 20mm e espessura de 1,5mm foi o escolhido. Foi feito o corte (esmerilhado e polido) no encaixe e um orifício 5,5mm, semelhante ao existente na cafeteira, para ali parafusá-lo. O comprimento foi estipulado em 85mm e a parte inferior arredondada, com diâmetro igual ao da largura.

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Como o engate da cafeteira é ortogonal ao seu eixo, o novo cabo foi curvado a 20mm, em raio de 10mm, seguindo com inclinação pouco maior que a conicidade do corpo, permitindo segurança térmica ao manuseá-la.

Um parafuso também inoxidável, com cabeça hexagonal, arruela e porca fixou o conjunto, de maneira firme e duradoura.

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Após pronta, o teste teve resultado perfeito com a função restaurada. E o brinde, um cafezinho gostoso e a promessa dela em me acompanhar por mais vários anos.

cafe  

Tenha um bom dia

Darlou D’Arisbo